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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O belo início do natal em família

Sim, eu sei. Há quanto tempo!

Mas natal é sempre uma data muito harmoniosa e rica para se falar.
Esse ano, meu estudo observou até agora três fases do natal em família. A primeira, a viagem.
A viagem é geralmente feita por dois ou mais indivíduos. Se você viajar na véspera, pode estranhar ao ver um carro com uma pessoa só. Pode considerá-lo um infeliz solitário ou um belo sortudo, dependendo da situação dentro do seu carro.

A segunda é o quanto todo mundo é bom e feliz.

A terceira, algum retardado (pode ser você mesmo) comenta as dificuldades que anda tendo. Sem nenhuma pretensão. E daí todos comentam como já estiveram em situação pior, e como a pessoa está sendo infantil e imaturo por reclamar. Obrigad@, família! - diz @ retardad@

O pior do ciclo do peru de natal ainda está pra chegar.
Os perus ainda nem chegaram a ser atropelados.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O primeiro




"Todo equipado, preparado na linha de partida

Daqui a pouco vai ser dada a saída
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí (O importante é competir!)

Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar
Já tá tudo armado pra eu me conformar
Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta

Ia ser legal chegar junto na frente
Mas iam falar que quero ser diferente
Tá bom demais, pelo menos eu não saio da reta
Por isso eu sempre sou

Terceiro! Ôba-Ôba!"

"Terceiro", Ultraje à Rigor


Aqui não basta mais ser terceiro.

O que importa é a colocação dentro do coletivo. Não importa se é primeiro, segundo, terceiro, o podium é medido pelo número e assentos.

Você vai ficar desconfortável, não importa onde esteja, mas você já está desconfortável, o negócio é ficar mais ou menos.

Essa competitividade dentro do metrô, ônibus e na rua basta ter uma superlotação. Competitivos na vida, no mercado, nas andanças. Indo contra à colaboratividade, presenciadas em poucas ocasiões. Não há ninguém para ser conhecido, não há nada que substitua o desespero da situação, alimentado pela ânsia (enjôo mesmo) de "chegar lá".

Têm-se pra onde ir, de onde vir. O problema é o desrespeito social e público no trajeto.

"Mas aqui é a terra das oportunidades!", "São Paulo é o carro chefe do país", "Eu conduzo, não sou conduzido!", "mas agora que eu trabalhei tanto para ter meu SUV você diz que eu não posso usá-lo na cidade porque tem trânsito e polui?", "eu trabalho o dia inteiro e não posso tomar meus quinze cafézinhos diários em quinze copos descartáveis?"

O mito da civilização da cidade de São Paulo está sendo passado pra trás, junto com o sucesso e qualidade de vida e com a adição de uma bomba relógio.


Estou começando acreditar nas profecias de que o mundo vai acabar em 2012.


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sai um abacaxi completo, Cris!

Um dia eu vou fazer um almoço executivo.

Chego no restaurante por quilo de salto, terninho e maquiagem. Bolsa de couro na mão, celular no ouvido. Na verdade vou ligar pra operadora de celular.

Pego salada e massas (mas bem pouco, porque é elegante e principalmente porque não pago além das possibilidades). Ahn? Nada pra beber não, obrigada.
Sento sozinha em alguma mesa. Fecho meu celular dos anos 90, sem twiter, bluetooth ou coisas do tipo. Como ele é muito simples, coloco devolta na bolsa sem que ninguém perceba o celular, que nem touchscreen tem. Vou achar comum as discussões nas mesas em volta, sobre euros, viagens à Europa, cotação e bolsa de valores.

Depois de uma fila gigantesca para pagar, pago e pego um cafezinho. Sem adoçante nem açúcar. Olho pro relógio e saio.

O único problema é que esse mundo de brainstorms, jobs, commodities, US$, e coisas afins é sempre em bando. Enquanto ninguém topar se fantasiar comigo, vou fazer tudo sozinha mesmo e depois pego meu bilhete único do ônibus.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O pato dos fumantes

Nas baladas, todos vão pra fora. Pessoalmente, até hoje não vi UMA boate que coloque um cinzeiro na calçada. O pato: dos varredores de rua e dos moradores da região das baladas, que agora ouvem claramente a farra durante semana e vivem em mares de bitucas.

Na rua, nunca tantos fumantes antes vistos. E eles gostam de ultrapassar aqueles que não estão fumando. Fumaça tem que ser coletiva, ora essa. Alguns gostam de ficar parados na calçadas, querendo colocar todo o ódio ao governador pra fora. E fazem isso em forma de fumaça, assoprando-a em quem aparece na frente com uma careca e olheiras roxas. O pato: transeuntes e varredores de rua.

Sim, é um assunto ainda polêmico e indelicado. Alguns dizem ser anticonstitucional. Nada contra, nada a favor. Esse blog não foi feito pra se discutir ideias. Apenas pra fumá-las inadvertidamente.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Curintcha! Curintcha!"

Eles gritam, mas eu quero dormir. Eles jogam garrafas e ficam trêbados, e eu não consigo dormir, daí eles batem o carro, e eu fico agitada e o tempo passa, daí eu fico com fome, daí eu como, e eles bebem mais, e eles gritam e eu quero dormir. Eles jogam garrafas e ficam trêbados, e eu não consigo dormir, daí eles batem o carro, e eu fico agitada e o tempo passa, daí eu fico com fome, daí eu como, e eles bebem mais, e eles gritam e eu quero dormir. Eles jogam garrafas e ficam trêbados, e eu não consigo dormir, daí eles batem o carro, e eu fico agitada e o tempo passa, daí eu fico com fome, daí eu como, e eles bebem mais, e eles gritam e eu quero dormir, depois de muito tempo eu durmo.
Acordo logo depois pra trabalhar, com um grito de torcida no despertador da calçada que ainda tá tocando.

Depois me perguntam porque odeio torcidas. Ainda vou morar em um bairro residencial (mas longe do parque antártica, morumbi ou pacaembu. Perto do juventus tudo bem)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Diário de uma pessoa com fobia de assobios - e com uma agenda com horários

5h37. O guardinha assobia.
7h25. Um cidadão assobia alguma música não identificada.
7h37. O motorista do ônibus assobia alguma música sertaneja. E bem desafinada.
9h17. Tomo uma vitamina C. Mas não vejo ela dissolver. Ela faz um barulho horrível.
10h34. O cara que sempre assobia assobia pra anunciar sua chegada. Música não identificada.
11h47. Assobio aleatório vindo do estacionamento.
12h53. Alguém assobia a música dos 7 anões "Eu vou, eu vou" enquanto vai almoçar.
15h28. Um amigo, indignado com o fato de eu não conhecer uma música, assobia a melodia para checar se eu realmente não conheço.
17h48. O colega de trabalho assobia "Killing me softly".
18h32 A loja de canários fecha.
23h. O guardinha assovia denovo.

sábado, 9 de maio de 2009

Ser humano à batata

- Pensar se a pessoa realmente merece. Dependendo do seu caso, nem precisa de tal passo.
- Pesquisar se a pessoa realmente merece. Dependendo do seu caso, esse passo é também desnecessário.
- Capturar a carne in natura.
- Embrulhar em papel plástico.
- Dependendo do requinte de crueldade, você também pode sufocá-lo com o papel plástico.
- Cortar o corpo pedaço a pedaço. Com o animal vivo, é claro. Esse passo é importante pelo sabor.
- Refogar com alho, cebola e sal, mas por pouco tempo, somente para temperar. Se desejar, adicionar manjericão ou coentro e pimenta do reino.

Deixar no forno por 40 minutos com batatas, pimentão, tomate e azeite.


Essa receita foi enviada por Hannibal Lecter.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Saci da perna esquerda

Chega a hora em que Murphy não é mais páreo. Então aparece ele, na forma de um redemoinho de areia, sugando tudo pelo meio do caminho, e te gruda nas costas. Daí volta em sua forma original, a de um saci. Mas apenas com a perna esquerda.

O saci da perna esquerda é um ser comum, e vive nas costas das pessoas. De vez em quando ele sai para passear para se divertir um pouco. No caso de ser urbano, ele vai pregar peças em carros, ônibus e pedestres em geral. Se mais rural, o clássico do varal roubado e das tranças nos cavalos.

Mas se ele está nas suas costas, você é o alvo. E de repente, um colega está com intoxicação alimental, outro com cólica, outro com o carro no mecânico, outro com problemas de carma, e você... melhor nem exemplificar pra não dar ideias.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sobre a cera - Filosofia e Psicologia na depilação



Na depilação (grande maioria dos homens não conhecem, não querem ou não precisam saber como é esse processo, mas é importante saber de tudo isso, acreditem) a iminência da dor já dói. O simples fato de passar a cera na área a ser depilada já é algo terrível, principalmente quando se pensa sobre o futuro próximo - e não na praia, piscina ou simples biquíni.

A depilação pode ser um preparatório pra algo bom. Ou acontecer sem nenhum motivo. Mas o que importa é que o simples fato de passar a cera dói mais que arrancar os pêlos: aquela mão castradora vindo arrancar a cera e o suor frio e a barriga com borboletas. E quando "aquela mão castradora" arranca a cera a sensação não é alívio, é um sentimento de boboze pela antecipação exagerada.

Daí veio a luz. E uma voz dizendo "Pare de depilar sua vida um pouco". E amanheci sem pêlos.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Impulsos consumistas

Acho que eu deveria comprar uma meia calça. Tenho um monte, mas nunca é demais.
Vai que a galera resolva ir pra piscina. Não é certeza, mas compro um biquíni.
E tem aquela loja de lingerie no centro. Baratíssima. Dei uma passada lá.
E eu tenho trabalhado tanto. Bem que eu mereço dois vestidinhos.
Eba, salgado! Um refrigerante não faz mal também. E um docinho depois.
Locadora de filmes. Tem uns tão bons pra alugar... outros tão bons pra comprar.
Bolsa. Livro. Playstation 2 vou ter que gastar a poupança no mês que vem, pois oi dólar tá aumentando.


E o Lula diz que tem que gastar.

sábado, 29 de novembro de 2008

Sugador de sanidade

Comprei umm sugador de sanidade recentemenmte. E como funciona!

Um sugador de sanidade é baratinho. Benefício não tem nenhum, só o de você adimitir que tem um. Mas pode não ser benefício também, pois o sugador pode servir como desculpa para aquele vazamento de sanidade atrás da nuca que você tem há anos. E nunca consertou.

A grande questão ainda é: como jogar o sugador de sanidade fora.
Dá um dó, uma peninha de ver aquele querido sugador longe de você. Afinal, apesar de tudo ele te proporciona grandes momentos. Ou senão dá medo. Medo de magoar o sugador de sanidade. Vai que ele se revolta contra você e devolve tudo de sanidade que te tomou.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O tempo gasto com os sonhos

Tem dias (ou noites) em que dormimos mas não dormimos. Dorme-se trabalhando. Trabalha-se dormindo. Inversão é uma coisa ótima!

E um belo dia algum Coringa vem te atazanar. Em pleno sonho. Ele faz você jogar vôlei com uma bola que tem uma bomba dentro.
E não tem Batman. Não tem nenhum homem-morcego com compaixão para te salvar.

Mesmo dormindo, você pode acordar quando tem consciência em um sonho desses. Mas não, você quer continuar sonhando para ver o que que vai acontecer, ou como você pode acabar com o Coringa. Pois se não há Batman, não há como outra pessoa senão você derrotar o Coringa. Mas até a hora de acordar pra trabalhar, você não faz nada além de jogar vôlei. A bomba pode ser acionada se cair no chão.

Quando você acorda e faz tudo que tem que fazer, descobre que tem um Coringa por aí å solta, atrás de tudo e de todos com sua risada sádica. Todos estão ocupados demais com alguma peripécia que ele armou.
E não tem Batman que salve.

domingo, 12 de outubro de 2008

Ganhe as eleições você também!

Vote em você mesmo para prefeitura de si mesmo!
Faça as promessas que devem ser cumpridas! Faça o seu próprio plano de governo!
Sua vida precisa melhorar. O dia-a-dia da sua população sempre está apertado e aflito.
Prometa que não irá mais comer naquele lugar que dá intoxicação alimentar. Prometa que você não vai mais se estressar por perder o ônibus, nem perdê-lo. Acorde cedo, faça exercícios. Coma menos e de forma mais saudável. Não odeie as pessoas. Mude o seu dia e organize seus horários. Não tenha agonia em organizar horários. Viaja mais. Curta seus amigos. Economize e compre seus sonhos de consumo. Ou pense melhor antes de se dar um presente sem motivo especial.
Aproveite o fim de semana. Não tenha medo da música do Fantástico.

Eleja-se com propostas bem construídas que vão levar sua população ao delírio.

Depois, faça como muitos outros eleitos: não cumpra nada.

domingo, 10 de agosto de 2008

Não é somente um sabonete


Toda pessoa merece se dar pequenos presentes. Presentes básicos como tomar sol por cinco minutos, comprar uma caneta em gel, almoçar comida boa, coisas simples que fazem um ser humano feliz.
Com pouco ou nenhum dinheiro aumenta-se a dose diária de felicidade.
Dessa vez, descobri um dos maiores presentes que eu poderia me dar: um sabonete do snoopy.
Não é propaganda. Não é somente um sabonete. É um sabonete que evoca a infância cada vez que se toma banho. Comprovado cientificamente. (New York Times!) (sim, é a primeira vez que não invento).
Fugir pro próprio mundinho e fingir que está tomando banho pra ir à escola: isso sim que é vida!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Transição Lady Di - Lady Murphy

Um dia, esplendor. No outro... é melhor nem comentar.

Não me chamem de pessimista, mas a transição Lady Di - Lady Murphy acontece com freqüência entre os pobres mortais. Mil e uma oportunidades aparecem, tudo que você desejava parece dar certo. Cuidado, você pode sofrer essa metamorfose e se tornar a Lady Murphy em pessoa.

O glamour, esplendor, auto-estima e vontade de ajudar o próximo são sintomas do período Lady Di. A situação crítica anterior se desfaz em segundos, mil portas começam a virar a chave na fechadura, prontas para abrir, e você brilha como o mais feliz e otimista ser humano.


Gloria in excelsis Deo!


Quando a situação muda, você é o próximo que precisa ser ajudado.
Sim, a vida é dura, viva a rapadura (sim, já ouvi essa expressão. Infelizmente.), mas transição Lady Di-Lady Murphy costuma ocorrer rapidamente e dependendo de sua intensidade e grau pode causar atitudes não muito corriqueiras:

- ter vontade de discutir com um monge sobre existencialismo;
- brigar com algum ativista vegetariano na rua;
- conversar sobre políticas públicas com uma pessoa que tenta te vender uma revista de algum projeto da Secretaria da Cultura;
- visitas à seção de auto-ajuda na livraria.

Nesse último tópico ocorre também, em casos mais graves, o sumiço de livros de auto-ajuda em casas de amigos. Daqueles que você teria vergonha de comprar e você vê em cima de alguma mesa ou cômoda enquanto seu amigo está no banheiro.

Quando isso acontece e a pessoa sofredora da transição Lady Di-Lady Murphy vê algum livro sobre a Lei de Murphy, ela tem consciência e obtém seu próprio diagnóstico: ela virou uma Lady Murphy.


Eu sou eu, nicuri é o diabo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sobre desmemória


01
Esquecer é natural. Esquecer é liiinndo, diria Caetano. A desmemória proporciona a sobrevivência familiar e a manutenção de um ciclo. Ótimos momentos para o ser humano.

02
A fuga dos neurônios para a colônia cerebral de férias é importantíssima, geralmente ocasionada por mudanças de hábito e locais de vivência.

03
Pode ser um método eficaz para arquivar as minhocas [ver reflexão filosófica] ou ser parte do triunfo do peru de natal.

04
A desmemória escapista, como o próprio nome diz, é você fugir de algum incômodo, quando você muda de ambiente e arquiva as minhocas. As minhocas podem ficar em arquivos de papelões (onde elas conseguem facilmente sair e rastejar novamente para a parte ativa do seu cérebro) ou em arquivos de plástico (podendo elas sempre ser consultadas, o que acontece sempre quando acaba as férias dos neurônios - eles são muito fuçadores).

05
A desmemória seguida de uma frustração é parte de um triunfo do peru de natal, por exemplo. Esquece-se das mazelas daquele meio antigo, alimentando sentimentos muitas vezes ingênuos, e quando retorna-se a ele há a frustração. Também é conhecido por mal costume, quando o habitat novo é muito confortável, e por choque de neurônios que quando acabam de sair de férias se deparam com toda aquela papelada.

06
Essas desmemórias são muito boas. Quando estão acontecendo.

sábado, 10 de maio de 2008

Maurasmo, camisa 9

O jogo está agitado. O técnico decide colocar o principal jogador do time no segundo tempo. Chega Mauraaaaasmo, nosso grande atacante, pronto para salvar o time.
Maurasmo tenta correr... dá uma preguiça.

É normal ficar parado, Maurasmo, depois a situação muda - sempre lhe disseram.


Por isso ele sempre salva o time quando o jogo está muito agitado. Os outros perto dele ficam um pouco estagnados, sem fazer muita coisa.
O jogo fica tranqüilo. Não há mais nenhum ataque significativo. Até que a bola, por obra do acaso, chega aos pés de Maurasmo (Rasmo, para os mais chegados). Ele se empolga, corre do meio de campo até a grande área e pára. Deu desânimo.

O jogo continua assim, e todos ficam ainda mais contaminados por Maurasmo e têm preguiça de chegar até ele.

É normal ficar parado, depois a dituação muda.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

EP SP

A senhora considera a bolsa extensão do braço, carrega como se fosse uma tipóia.
O camelódromo fechado.
O vendedor na rua com os homens-aranha que escalam prédios e descem. Não olha para os lados, só pra sua demonstração da mercadoria. Todos os dias no mesmo local.
A esfiha que tem carne amarela e faz passar mal. O lanche que enche e dá dor de barriga. O dinheiro desejado para aquela refeição boa e mais cara.
As pessoas felizes tirando foto com um celular. À noite. O domingo com os mendigos dormindo.
Ônibus lotado. A moça simpática que oferece o colo pra você colocar sua sacola. As pessoas na calçada andam mais rápido?
Ó o rapa.
Saltos para caminhar tanto assim.
A não-conversa alheia.
Perna fica no vão do metrô.
A cervejinha quando dá. A conversa na fila do banheiro. Quando há oportunidade não fazem estudo antropológico no bar, só os desacostumados.

E tudo junto com o punk com castanholas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O grande bloqueio


Os livros de auto-ajuda possuem vários assuntos, para tudo o que se deseja: bom relacionamento, auto-estima, deixar de cometer maus hábitos, dinheiro, trabalho...


Apesar de nunca ter lido um livro de auto-ajuda, tenho certeza de algo: aqueles que falam de sucesso profissional, dinheiro ou como arrumar um emprego nunca ensinaram como furar o grande bloqueio.

O grande bloqueio é formado por salas de recepção e catracas. Principalmente as humanas.
São recepcionistas mau-humoradas ou simpáticas, sempre maquiadas e uniformizadas. Servem, talvez principalmente, para deter a horda dos distribuidores de curriculum: os disponíveis para o mercado de trabalho, os aptos a entrar no sistema corporativista.

- Olá, eu sou Fulano e gostaria de entrar em contato com o RH.
- Sobre que assunto?
- Ah, eu gostaria de entregar um curriculum...
- Pode deixar aqui na recepção que nós encaminhamos para o RH.

As expressões são diversas e o diálogo sempre o mesmo, mudando poucas vírgulas ou palavras. Esta que vos escreve testou várias recepcionistas, tentando da formalidade extrema até a miguxice. Nada mudou. O grande bloqueio parecia ser mais difícil de derrubar que o muro de Berlim. Apesar de eu não ter derrubado o muro de Berlim.

O esforço para engatinhar sem ser visto por baixo da catraca é muito grande. Entrar com pose e com cara de eu sou um mega importantão por aí tá com nada.

O bloqueio está invicto.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Finalização da loucademia de férias

É chegada a hora da vergonha na cara. Para alguns é só depois do carnaval essa hora, mas depois de um mês de louca temporada de férias é melhor acordar e tomar vergonha na cara, seguir o rumo.

O problema é que por mais que a loucademia de férias tenha sido intensa - apesar de todos os perus de natal, detalhes sórdidos, males cotidianos e tudo mais - chega ao ponto final: ela não parece ter sido tão intensa assim.

As músicas que não queria ter escutado, as pessoas que não deveriam ter aparecido, as lembranças que não deveriam ter vindo à tona, os pensamentos apodrecendo em nossas cabeças graças ao calor de 50 graus celsius, as falas que não deveriam ter sido ditas, o triunfo do peru de natal.
Em contraponto, aqueles momentos tão rápidos: a hora mágica do pôr-do-sol que com sua luz que deixa tudo bonito.

A graça dessa hora mágica é justamente sua intensidade, e não sua duração. E por serem momentos tão fortes e curtos parece que a loucademia de férias não foi o suficiente para relaxar. Relaxar por causa fatos que se passaram e que estão por vir.

A vontade de acordar pro mundo real, agitado e com responsabilidades diminui, quer-se procrastinar e adiar a hora que o despertador toca.

Mas segue-se o rumo, e de salto alto [sapato, como quiser]. E se fizer bem, carregando as lembranças das horas mágicas na carteira ou na bolsa.