terça-feira, 27 de maio de 2008

O menininho que gostava de escrever

Era uma vez um garotinho, de uns 10 anos, gostava de escrever livrinhos em casa e tinha como própria editora as suas mãos. Ele nunca tinha ouvido falar em Guimarães Rosa, tinha uma pequena noção de quem era Dom Quixote e nem imaginava que existiam algumas pessoas como Paulo Leminski.

Um belo dia, estudioso e cdf como ele só, recebeu um belo 5 em redação. A professora dizia "10 é só pra Deus". Mas e um 8 pelo menos? Estava tão bonitinha sua estorinha...
A editora do sonho fechou as portas por falência. Falência de liberdade e prazer, ocasionada pelo excesso de dívidas consigo mesmo e perfeccionismo. Os livrinhos foram pra fogueira, pois era censurado escrever daquela forma.
O que antes era apenas prazeroso, tornou uma obrigação aliada aos mais altos escalões das artes e filosofias, com uma situação delicada entre criatividade, influência e plágio. Por isso não gostava mais das coisas que fazia.

Nem uma criança com menos de 10 anos podia ter formas de expressões consideradas medíocres pela crítica.

Um comentário:

Ian disse...

Acho que eu conheço esse menininho...